Anexo estabelece regras específicas para o uso de escadas individuais – fixas verticais, portáteis de encosto e autossustentáveis. Em 2023, o anexo foi revogado e a nova proposta se deu pela ausência de normatização específica na área desde então.
Principais novidades
A grande novidade é a definição de uma hierarquia para a escolha do meio de acesso, priorizando soluções que ofereçam menor risco aos trabalhadores. Assim, a ordem observada deve ser: acesso direto a partir do nível do solo ou do piso; rampa ou escada de uso coletivo; e, por último, escada fixa vertical. Portanto, a utilização de escada fixa vertical de uso individual só pode ocorrer em caso de comprovada inviabilidade técnica de outros meios de acesso.
O especialista em Proteção Contra Quedas e membro do GTT do Anexo de Escadas da NR 35, Tiago Santos, ressalta que o novo anexo veio preencher lacunas importantes, desde o projeto até a manutenção das escadas, refletindo uma tendência internacional. Para ele, a hierarquização da escolha do meio é um dos principais pontos positivos. “Deve-se priorizar sempre as soluções que ofereçam menor risco aos trabalhadores. Com isso, fica clara a necessidade de uma análise prévia de risco para a utilização das escadas individuais como meios de acesso, ou como postos de trabalho”, orienta.
Uma vez que escadas fixas verticais (escadas marinheiro) sejam realmente necessárias para a atividade em questão, com o novo anexo torna-se obrigatória a instalação e o uso de Sistema de Proteção Contra Quedas (SPQ) e projeto. Em termos de equipamentos como SPQ para uso em escadas verticais, Santos cita que o mercado dispõe de linhas de vida verticais com trava-quedas deslizantes, os trava-quedas retráteis ou o uso de talabarte, embora com limitações de uso.
Além disso, ele destaca que a classificação dessas escadas também se tornou mais clara, sendo divididas em dois tipos principais: escadas fixas verticais e escadas portáteis, essas sendo subdivididas entre de encosto (fixas ou extensíveis) e autossustentáveis. “Especialmente sobre as escadas portáteis, a norma é clara ao especificar que elas devem ficar restritas à realização de serviços de pequeno porte e acessos temporários, com a ressalva de que o trabalhador deverá permanecer sempre apoiado em três pontos”, sublinha.
Setores atingidos
Inúmeros setores econômicos serão afetados por estas mudanças, especialmente aqueles que utilizam escadas como meio frequente de acesso ou como posto de trabalho em atividades em altura.
Santos salienta que, de forma geral, indústrias de todos os segmentos que possuem acessos a estruturas elevadas precisam revisar suas condições existentes, realizando análises de risco e, quando aplicável, adequando projetos e sistemas de proteção contra quedas.
Setores como energia elétrica e telecomunicações também serão fortemente impactados, principalmente pelo uso intenso de escadas portáteis em atividades de manutenção, instalação e inspeção. “Nesses casos, a norma reforça que o uso da escada deve ser limitado a serviços de pequeno porte e acessos temporários, exigindo que as empresas reavaliem práticas tradicionais e busquem soluções mais seguras quando o risco assim indicar”, pontua.
Em resumo, o especialista frisa que qualquer setor que ainda trate a escada como uma solução universal e sem análise prévia precisará mudar sua abordagem, incorporando conceitos de gestão de risco, escolha adequada do meio de acesso e implementação de Sistemas de Proteção Contra Quedas.
Desafios para as empresas
As empresas enfrentam, agora, um desafio imediato de adequação técnica, uma vez que os novos requisitos já estão em vigor desde o início deste mês, com exceção apenas da marcação do fabricante das escadas portáteis, cujo prazo foi estendido até 4 de janeiro de 2027.
“O principal desafio está no prazo exíguo para atendimento aos novos requisitos, considerando que a norma passa a exigir análise de risco, planejamento e, no caso das escadas fixas verticais, projeto e Sistema de Proteção Contra Quedas (SPQ). Não se trata apenas de instalar um dispositivo, mas de garantir que o sistema seja adequado ao risco, integrado à estrutura e compatível com o uso previsto”, explica.
O especialista aponta que esse processo demanda conhecimento técnico especializado, tempo para planejamento e, em muitos casos, investimento financeiro, especialmente em ambientes com grande número de escadas. “O curto prazo para adequação torna ainda mais relevante a necessidade de priorização, gestão de riscos e tomada de decisão assertiva por parte das organizações
